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A vinha do Monte da Ravasqueira

A qualidade de um vinho começa com a qualidade das uvas

 

A vinha do Monte da Ravasqueira é minuciosamente gerida e monitorizada com o objetivo principal de produzir uvas de grande qualidade. Compreende uma área de 45 hectares, a maioria dos quais plantados em solos argilo-calcários com afloramentos graníticos. Este tipo de solos tem médio poder de retenção de água em profundidade, sendo extremamente necessário, mesmo nos meses de maturação, efetuar rega gota-a-gota de forma a garantir um adequado fornecimento de água e sais minerais, o que constitui um fator essencial e crítico para a qualidade das uvas do Monte da Ravasqueira.

Apesar de estar situada na zona central do Alentejo, em Arraiolos, a vinha do Monte da Ravasqueira apresenta amplitudes térmicas únicas que podem ultrapassar os 30ºC em meses de maturação, encontrando-se toda a vinha protegida por topografia montanhosa de floresta, rodeada por duas barragens equivalentes a um terço da sua área e a uma altitude de 270 metros. Todos estes fatores contribuem para um clima invulgarmente moderado e fresco, que proporciona a expressão fantástica de toda a exuberância aromática de castas precoces, como são os casos das castas Alvarinho e Viognier.
 As vinhas, com uma média de idade de dez anos, são conduzidas em cordão bilateral com o objetivo de otimizar a exposição solar, a maturação e a qualidade das uvas. Uma das particularidades dos vinhos brancos do Monte da Ravasqueira é o facto de serem todos vindimados à mão para caixas de 20 kg, permitindo vindimar um mesmo talhão duas vezes, apanhando uvas mais frescas em termos de acidez mais cedo e uvas mais maturadas com outro perfil aromático, uns dias mais tarde. Este procedimento permite a obtenção de diferentes lotes na adega e um blend rico e cheio de equilíbrio. 

Sob a grande influência de afloramentos graníticos existentes ao longo de toda a vinha, mineralidade e frescura são as características ímpares que mais se expressam nos vinhos do Monte da Ravasqueira e melhor definem o terroir do Monte da Ravasqueira.
Toda a vinha está plantada em encostas com declive variável, o que proporciona uma variabilidade de equilíbrios e que permite, todos os anos, selecionar as melhores zonas para cada vinho que se pretende produzir.

Terroir

Novo conceito de terroir

 

No ano de 2012 foi feita uma fotografia aérea da vinha na altura da maturação das uvas, dando-se início a um intenso trabalho de Viticultura de Precisão com o objetivo de efetuar uma zonagem que permita a potencialização máxima de cada bloco de vinha.

Este novo conceito de terroir tem como finalidade identificar e localizar toda a variabilidade existente na vinha do Monte da Ravasqueira recorrendo às seguintes informações: georreferenciação para mapeamento; dados meteorológicos, incluindo temperatura, precipitação, humidade e vento; mapas de NDVI (Normalized Difference Vegetation Index); análise topográfica e análise de inúmeros compostos da uva versus prova de bagos.
Este trabalho constitui, juntamente com outros fatores, a base do novo conceito dos vinhos do Monte da Ravasqueira.

Todos os vinhos do Monte da Ravasqueira são fruto de uma seleção da zona ou das zonas da vinha que em cada ano mais se destacaram e apresentaram as características principais e pilares que cada gama
deve ter.

Relatório de Vindima 2014

O ano de 2014 iniciou-se com precipitação alta, mas normal, nos primeiros quatro meses do ano. Entre janeiro e abril choveu cerca de 351 mm, o que perfaz mais de metade de toda a precipitação média anual habitual. Os meses de maio a agosto foram secos, contribuindo para o correto vingamento, floração e controlo de doenças. O valor total de precipitação durante o ano de 2014 foi de 745,6 mm, acima dos valores médios anuais habituais, mas abaixo dos valores de 2013. No mês de setembro, a partir da segunda semana, choveu 229,8 mm. Nesta altura cerca de 80% das uvas já se encontravam na adega, ficando apenas castas resistentes como o Petit Verdot, para vindimar mais tarde.

As temperaturas registadas na vinha do Monte da Ravasqueira foram similares ao historial registado nos últimos anos. A temperatura máxima verificou-se em setembro, com 38ºC, e a mínima em dezembro de 2013 com -5,3ºC. A temperatura média dos meses de julho e agosto foi de 22ºC, fator que contribuiu para a elevada qualidade e homogeneidade da maturação das uvas produzidas, permitindo um trabalho por parte da planta rápido, mas rico, com uma concentração elevada de compostos fotossintéticos. A desfolha efetuada nos meses de junho e agosto proporcionou um bom arejamento interno, contribuindo para a diminuição de temperatura média dos cachos e, assim, para o aumento da sua concentração e frescura.
Verificou-se um correto equilíbrio da vinha em geral, com especial atenção na Vinha das Romãs.

A gestão da carga à poda, a área foliar com controlo de cm2/g de fruta produzida, juntamente com uma rega de compensação da Evapotranspiração, resultou numa expressão mais equilibrada de todas as castas, com mais cachos/cepa, bagos mais pequenos, traduzindo-se numa manutenção de produção T/ha idêntica a 2013, com maturação mais precoce e igualmente rica em valores de Antocianas, IPTS. Com este equilíbrio atingido, a zonagem ganhou este ano menos importância no isolamento de pequenas zonas, havendo mais foco em divisão de zonas maiores nomeadamente zonas baixas, médias e altas de cada vinha com potencial e concentração aromática diferentes.

Podemos esperar vinhos frescos e aromáticos, com boa concentração e elegância. Com o aumento de equilíbrio das vinhas, ganhámos ainda mais consistência na nossa gama Monte da Ravasqueira, com foco no lote de Monte da Ravasqueira Tinto 2014.
 
 Pedro Pereira Gonçalves